Ainda Estou Aqui: A Jornada do Oscar à Bilheteria Histórica
De Veneza ao Oscar: a cronologia semana a semana que transformou um drama histórico em fenômeno de bilheteria
Ainda Estou Aqui: A Jornada do Oscar à Bilheteria Histórica
Quase 6 milhões de espectadores, R$ 159 milhões em renda, 21 semanas em cartaz e o primeiro Oscar de Melhor Filme Internacional da história do Brasil. A trajetória de Ainda Estou Aqui é um manual de como prêmios internacionais podem transformar a bilheteria nacional.
De Veneza a Hollywood, semana por semana
Ainda Estou Aqui começou sua vida pública no Festival de Veneza, em setembro de 2024, onde Walter Salles ganhou o prêmio de Melhor Roteiro. Não foi uma estreia barulhenta — foi a abertura de um ciclo de premiações que durou meses e funcionou como uma sequência de relançamentos.
O longa é baseado no livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva e narra a história de Eunice Paiva (Fernanda Torres), que enfrenta o desaparecimento do marido, o ex-deputado Rubens Paiva (Selton Mello), durante a ditadura militar. Na sequência final, o papel de Eunice passa para Fernanda Montenegro — mãe de Torres na vida real, reunindo duas gerações de atrizes num mesmo personagem.
A cronologia que transformou números em fenômeno
| Data / Evento | Impacto na bilheteria |
|---|---|
| Set/2024 — Prêmio em Veneza | Estreia inicial; 1 sala em Salvador |
| Nov/2024 — Lançamento nacional | 578 mil espectadores na 1ª semana (765 salas) |
| Jan/2025 — Globo de Ouro (Fernanda Torres) | +57% de público na semana seguinte; +122% na subsequente |
| Jan/2025 — Indicação ao Oscar (3 categorias) | +89% de público semanal; filme vira 3ª maior bilheteria desde 2018 |
| Fev/2025 — Semana do Cinema | +174%; segundo melhor público semanal de toda a carreira |
| Mar/2025 — Oscar de Melhor Filme Internacional | +30% nas duas semanas seguintes; último impulso |
| Abr/2025 — Encerramento nos cinemas | ~6 milhões de espectadores totais; ~R$ 159 milhões em renda |
Fonte: Ancine/SCB, agorarn.com.br (dados inéditos da Secretaria de Regulação da Ancine).
Por que o Oscar moveu o Brasil?
A vitória de Ainda Estou Aqui não foi apenas simbólica. Ela ocorreu em um contexto específico: era a primeira vez que o Brasil ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional em qualquer categoria. O momento teve peso histórico que transcendeu o público cinéfilo e chegou até quem raramente vai ao cinema.
Fernanda Torres já havia sido indicada ao Oscar por Central do Brasil em 1999, perdendo para Cate Blanchett em Elizabeth. A narrativa de redenção — mãe e filha, duas gerações, uma estatueta — mobilizou o país de forma orgânica. Redes sociais amplificaram. Jornais cobriram. A vitória virou notícia de primeira página em veículos que normalmente ignoram cinema brasileiro.
Ainda Estou Aqui foi exibido em 25 países e arrecadou US$ 36 milhões internacionalmente — terceira maior bilheteria global de um filme brasileiro de todos os tempos. Nos Estados Unidos, sozinhos, o filme faturou US$ 6 milhões.
O efeito sobre o mercado audiovisual como um todo
A Ancine calculou que, em 2025, Ainda Estou Aqui foi responsável por 32% de todo o público de filmes nacionais. Sem o filme, o market share do cinema brasileiro no período cairia de 30,1% para 22,1%. Um único título sustentou quase um terço da participação nacional no mercado.
É um dado impressionante — e também um alerta. O cinema brasileiro não pode depender de fenômenos únicos para manter sua participação. Quando o próximo Ainda Estou Aqui demorar a aparecer, os números voltam para a média histórica.
O que vem depois?
Após encerrar nos cinemas, o filme estreou no Globoplay em 6 de abril de 2025. A escolha da plataforma não foi casual: a Globo celebrava seu centenário e o streaming da emissora se posicionou como o destino natural do Oscar brasileiro. Os números de streaming não foram divulgados publicamente, mas o interesse no título seguiu elevado.
O legado de Ainda Estou Aqui para o cinema brasileiro é duplo: prova que drama histórico de qualidade pode vender tanto quanto comédia familiar — e deixa aberta a questão de quando o Brasil vai produzir o próximo filme capaz de mobilizar o país dessa forma.
→ Os Maiores Campeões de Bilheteria do Cinema Brasileiro: do Passado ao Oscar (âncora)
→ O Agente Secreto: O Novo Ícone do Cinema Brasileiro nos Festivais Internacionais
Fontes: Ancine/Agência Gov, CNN Brasil, agorarn.com.br, walldesk.com.br, Collider (dados internacionais). Dados de bilheteria extraídos do Sistema de Controle de Bilheteria (SCB/Ancine). Arrecadação em reais estimada com base em múltiplas fontes — o valor definitivo depende da apuração final da Ancine.

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