De Americana para o mundo: o escritor que transforma livros em árvores

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De Americana para o mundo: o escritor que transforma livros em árvores

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Professor, jornalista e biólogo, Juliano Schiavo usa a venda de suas obras para financiar o plantio de árvores nativas e movimenta a cena cultural do interior paulista com a FLAAM.

Por Redação Sampa News

Há escritores que terminam seu trabalho na última página. Juliano Schiavo, de Americana, no interior de São Paulo, faz o contrário: é ali que a obra dele começa a criar raízes — literalmente. Parte do que ele arrecada com a venda de seus livros vira muda de árvore nativa plantada nas ruas e praças da região, por meio do projeto ambiental que idealizou, o MoVer (Movimento Verde).

A trajetória de Schiavo é incomum por reunir mundos que raramente se encontram. Formado em jornalismo, biologia e pedagogia, com mestrado em Agricultura e Ambiente, ele é professor do ensino fundamental e médio e leva para a literatura o mesmo olhar de quem observa a natureza com atenção. Não por acaso, seu livro mais conhecido, “O Menino que Semeava Histórias”, é uma fábula inspirada em “O Pequeno Príncipe”, na qual um garoto chamado Raduan surge de uma flor de mandacaru e conduz um jornalista a reflexões sobre a vida.

Literatura que vira floresta

O elo entre escrever e plantar não é simbólico — é prático. Pelo projeto MoVer, iniciativa ambiental sem vínculos políticos ou religiosos, parte do valor de cada exemplar vendido de “O Menino que Semeava Histórias” é revertida na compra de mudas nativas e insumos para o plantio. As ações, segundo o projeto, têm prestação de contas pública divulgada em seus canais. Já foram dezenas de paineiras e ipês plantados em diferentes pontos de Americana, árvores escolhidas justamente por atrair pássaros e polinizadores.

É uma forma rara de pensar a cultura: o livro não apenas conta uma história sobre semear, como financia o ato de semear de verdade.

Um nome ativo na cena cultural

Além da escrita e do ativismo ambiental, Schiavo é um dos idealizadores da FLAAM — a Feira Literária e Artística de Americana —, evento cultural independente que reúne escritores, músicos, artistas visuais e o público em torno da literatura. Em suas edições, a feira já levou dezenas de autores ao interior paulista e reuniu milhares de visitantes, consolidando-se como um dos pontos de encontro da produção literária da região.

Sua bibliografia reflete a inquietação de quem escreve para provocar e acolher: além da fábula de Raduan, é autor de títulos como “Tapa na Cara” e “Aprendendo com a Depressão”, em que se debruça sobre o bem-estar e o enfrentamento de questões emocionais — temas que ele também desenvolve em textos de reflexão publicados em jornais de diferentes estados.

Palavras que pedem coragem

É nesse registro mais íntimo que Schiavo costuma conversar diretamente com o leitor. Em um de seus textos de reflexão, ele escreve sobre a importância de reconhecer o próprio valor e enfrentar os medos: “Que o medo não seja minha muleta; que a coragem seja o trampolim que tire meus pés do chão”. A mensagem, simples e direta, resume bem o tom de quem aposta na palavra como ferramenta de transformação — da pessoa e do mundo ao redor.

De Americana para além das fronteiras da cidade, é assim que um escritor prova que histórias, quando bem semeadas, realmente florescem.

Juliano Schiavo é professor, escritor e jornalista, autor de “O Menino que Semeava Histórias”, entre outros títulos. Instagram: @juliano.schiavo

Reportagem da Redação Sampa News, com informações verificadas em veículos da imprensa do interior paulista.

Se você ou alguém que conhece enfrenta sofrimento emocional, buscar apoio é um sinal de força. Converse com um profissional de saúde ou, em situações de crise, ligue para o CVV (Centro de Valorização da Vida) no 188 — atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas.

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