Petróleo supera US$ 105 com tensão no Estreito de Ormuz e acende alerta global de inflação
Conflito no Oriente Médio se consolida como prolongado. Brasil vê impacto direto no preço dos combustíveis e na política monetária do Banco Central.
SÃO PAULO / WASHINGTON — O preço do barril de petróleo tipo Brent voltou a superar a marca de US$ 105 neste domingo (26), sustentado por um prêmio geopolítico persistente decorrente das tensões no Estreito de Ormuz — principal rota de escoamento energético do mundo, responsável por cerca de 20% de todo o petróleo negociado globalmente.
Crise no Estreito de Ormuz
Ao longo da última semana, relatos de disparos contra embarcações, apreensões de navios-tanque e tráfego severamente reduzido na região reforçaram a percepção de que o conflito entre os Estados Unidos e o Irã passou a ser precificado pelos mercados como prolongado — com risco real de nova escalada. O Brent encerrou a semana acima de US$ 105, reacendendo preocupações inflacionárias nas principais economias do mundo.
Trump anunciou a prorrogação indefinida do cessar-fogo com o Irã para permitir novas negociações de paz, mas não ficou claro se Teerã ou Israel concordariam com os termos. A retórica americana manteve ambiguidade, enquanto o Irã sinalizou resistência e usa Ormuz como alavanca estratégica.
Impacto no Brasil
Para o Brasil, o impacto é direto. Com o petróleo em patamares elevados, o governo negocia com o Congresso uma proposta de desoneração de combustíveis vinculada a receitas extraordinárias do pré-sal — mas analistas avaliam a medida como lenta, temporária e com eficácia limitada no curto prazo.
No mercado financeiro, o Ibovespa encerrou a semana em queda, mas ainda acumula alta de cerca de 3% em abril. O dólar fechou em R$ 4,97 — o menor valor de fechamento em 2026. Analistas do Itaú BBA apontam suporte do índice em 188.100 e 184.300 pontos, com a máxima de 199.354 como gatilho para retomada de alta.
Fonte: BDM — Bom Dia Mercado, CNN Brasil, Reuters — 26/04/2026

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