Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo: quem são os dois que estavam com Flávio no Salão Oval
As imagens divulgadas por Flávio Bolsonaro após o encontro com Donald Trump na Casa Branca mostraram, além do senador e do presidente americano, duas outras figuras: o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o comentarista político Paulo Figueiredo. A presença de ambos na reunião tem implicações que vão além do simbolismo político.
Eduardo Bolsonaro: o irmão que ficou nos EUA
Eduardo Bolsonaro, 41 anos, irmão de Flávio, foi deputado federal por São Paulo por três mandatos consecutivos (2015–2025), sempre como um dos mais votados do país. Deixou o mandato e passou a residir nos Estados Unidos a partir de 2025, após a condenação de Jair Bolsonaro.
Nos EUA, Eduardo consolidou seu papel como principal articulador político da família junto ao universo conservador americano. Foi ele quem intermediou os contatos que, segundo assessores de Flávio, resultaram no convite da presidência norte-americana para a reunião desta terça-feira. É também frequentador regular de eventos como a CPAC (Conservative Political Action Conference).
Eduardo Bolsonaro responde a processo na Procuradoria-Geral da República pelos crimes de coação e obstrução de Justiça. As acusações se referem a supostas articulações que teriam sido conduzidas por ele junto ao governo americano com o objetivo de interferir no processo penal movido contra Jair Bolsonaro no Brasil.
Paulo Figueiredo: o neto do general e o parceiro de Trump
Paulo Figueiredo é neto de João Baptista Figueiredo, o último presidente do regime militar brasileiro (1979–1985). Comentarista político alinhado à direita, vive há vários anos nos Estados Unidos e é sócio de Trump desde antes de o empresário chegar à presidência americana — uma relação que lhe confere acesso privilegiado ao círculo do republicano.
Assim como Eduardo, Paulo Figueiredo é réu no Brasil acusado pelos crimes de coação e obstrução de Justiça, também relacionados às alegadas articulações junto ao governo americano no contexto do processo penal contra Jair Bolsonaro.
O que dizem as acusações
Tanto Eduardo Bolsonaro quanto Paulo Figueiredo foram denunciados pela PGR pelos crimes de coação e obstrução de Justiça. As denúncias são relacionadas a supostas tentativas de articular, junto a integrantes do governo americano, ações que pudessem interferir no processo penal que resultou na condenação de Jair Bolsonaro no Brasil. Ambos negam as acusações.
Por que isso importa
A presença de dois réus em um processo de obstrução de Justiça na reunião entre um pré-candidato brasileiro e o presidente dos EUA representa um elemento delicado do ponto de vista diplomático e jurídico. Para o governo Lula e para o STF, que conduziu as investigações sobre a tentativa de golpe, o episódio reforça as preocupações quanto à interferência americana no processo eleitoral brasileiro — preocupação que o próprio Lula havia expressado diretamente a Trump em encontro realizado no início de maio.
Para a oposição e para a base bolsonarista, a reunião é celebrada como prova de que Flávio Bolsonaro tem legitimidade internacional e apoio das maiores lideranças conservadoras do mundo.

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