A maior avenida do Brasil fica em SP — e tem história de Jânio Quadros
A Avenida Sapopemba tem 25,9 km dentro da capital e 42 km no total. Foi reconhecida pelo Guinness em 2024. E seu nome foi dado por lei assinada por Jânio Quadros — quando ainda era prefeito de São Paulo.
Em 2024, o Guinness World Records certificou oficialmente: a maior avenida do Brasil fica na Zona Leste de São Paulo.
A Avenida Sapopemba tem 25,9 quilômetros dentro dos limites da capital, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Se considerar o trecho que continua pelos municípios de Mauá e Ribeirão Pires — já com outro nome —, a extensão total chega a 42 quilômetros.
Ela atravessa cinco subprefeituras, sete distritos, dezenas de bairros, atende mais de 40 linhas de ônibus e tem mais de 1.700 postes de iluminação. É uma cidade dentro de uma avenida.
Avenida Sapopemba — Zona Leste de São Paulo
Trecho urbano com transporte público e comércio
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Avenida Sapopemba, a maior do Brasil · Zona Leste de São Paulo · Foto: Reprodução/Google Street View
O nome que vem do tupi
“Sapopemba” não é um nome inventado. Ele vem da língua tupi: sapó significa raiz, e pem significa anguloso ou protuberante. A referência é às árvores de raízes retorcidas que emergem do solo — típicas da Mata Atlântica que cobria a região antes da urbanização.
O nome não mudou ao longo dos séculos. Enquanto outras vias históricas da cidade perderam seus nomes originais — a Estrada de Sorocaba virou Rua Consolação, a Estrada de Jundiaí virou trechos da Avenida São João —, a Sapopemba manteve sua identidade.
De estrada rural a maior avenida do país
No século XIX, a Sapopemba era uma estrada de terra batida. Tropeiros e sitiantes a usavam para escoar produtos das fazendas da Zona Leste até o núcleo urbano de São Paulo.
Por volta de 1880, a urbanização da cidade não chegava além da atual Vila Gomes Cardim. A região onde hoje é a Sapopemba era campo aberto. A estrada já existia, mas como passagem rural — não como avenida.
Com o avanço da urbanização nas décadas seguintes, novos loteamentos foram surgindo ao redor da estrada. Mas os novos bairros — Vila Formosa, Vila Prudente, Sapopemba — respeitaram o traçado da via original. Por isso o percurso da Sapopemba é tão contínuo até hoje.
Jânio Quadros e a lei que deu o nome
Em 1940, os moradores da região começaram a reclamar da denominação “estrada”. Para eles, a via já era uma avenida urbana — cheia de casas, comércios e movimento. O nome Estrada de Sapopemba parecia anacrônico.
A mobilização virou projeto de lei. Em 1950, o então vereador Jânio Quadros apresentou o primeiro projeto propondo a mudança para Avenida Sapopemba. Quando Jânio se tornou prefeito de São Paulo, ele mesmo sancionou a Lei nº 4.484, que oficializou a transformação. Era o mesmo Jânio que depois seria presidente do Brasil e renunciaria ao cargo em 1961.
25,9 km · segundo a CET-SP
~42 km · incluindo Mauá e Ribeirão Pires · Maior do Brasil (Guinness 2024)
Mais de 40 linhas · SP, Mauá e Ribeirão Pires
4 estações da Linha 15-Prata: Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta, São Mateus
Mais de 1.700 postes de iluminação pública ao longo da via
Lei nº 4.484 · sancionada pelo prefeito Jânio Quadros · anos 1950
As 10 maiores vias de SP segundo a CET
Em resposta a consulta via e-SIC (Sistema Eletrônico de Informações ao Cidadão), a CET divulgou as dez maiores vias da cidade. A Sapopemba lidera com folga.
A CET esclareceu que os “eixos” considerados podem ser formados por vias com diferentes denominações ao longo de um mesmo traçado geométrico contínuo — como acontece com as Marginais, que mudam de nome em trechos. Isso torna a comparação por extensão mais complexa do que parece.
O que faz a Sapopemba única
Além do tamanho, a Sapopemba tem uma característica rara em São Paulo: conservou seu traçado e seu nome originais durante mais de um século de urbanização intensa. A maioria das estradas rurais do século XIX que se tornaram vias urbanas foram redesenhadas, renomeadas ou fragmentadas.
A Sapopemba sobreviveu como testemunha da expansão da cidade — com o mesmo caminho que os tropeiros percorriam no século XIX, agora cortado por estações de metrô, shoppings e viadutos.
Fontes: CET-SP · Prefeitura de SP · Gazeta SP · Metrópoles · Portal do Trânsito · Guinness World Records · www.portalsampanews.com.br/

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