17 mil km de vias: como São Paulo mantém sua malha viária
O programa Asfalto Novo recapeou 4.300 km de vias desde 2022. A CET classifica e monitora cada trecho. A rede cicloviária chegou a 731 km. Entenda como funciona a gestão de uma das maiores malhas viárias do mundo.
Manter 17 mil quilômetros de vias em uma cidade de 12 milhões de habitantes é uma tarefa contínua, cara e nunca terminada.
São Paulo convive há décadas com o paradoxo de ser uma das cidades com maior extensão viária do mundo e, ao mesmo tempo, uma das mais criticadas pela qualidade das ruas. O problema não é falta de estrutura — é a escala do desafio.
Quem cuida das ruas de SP
A gestão da malha viária de São Paulo é dividida entre diferentes órgãos, cada um com função específica.
A Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSub) coordena os programas de conservação e manutenção — recapeamento, tapa-buracos, drenagem e guias. É o braço operacional do dia a dia das ruas.
A CET — Companhia de Engenharia de Tráfego classifica as vias, define as regras de circulação, faz a sinalização horizontal e vertical e monitora o tráfego em tempo real. A CET mantém uma base de dados com a classificação viária de cada rua e avenida do município.
A Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT) planejá a mobilidade urbana — metrô, ônibus, ciclovias e grandes intervenções viárias.
O programa Asfalto Novo
Lançado em junho de 2022, o Asfalto Novo é o maior programa de revitalização de pavimento da história da capital. Até 2026, já havia recapeado mais de 1.087 trechos de vias, totalizando mais de 16,4 milhões de metros quadrados e 4.300 quilômetros de extensão.
Para ter noção do que isso representa: 4.300 km é aproximadamente a distância entre São Paulo e Lima, no Peru. Tudo isso recapeado dentro dos limites da cidade.
+1.087 trechos concluídos · 16,4 milhões de m² · 4.300 km · iniciado em junho de 2022
731 km em 2023 · maior do Brasil · meta: 1.000 km
Sistema Gaia · mapeia e classifica as condições de cada via · base para priorização do recapeamento
Uso de RAP Espumado (asfalto reciclado) · reduz extração de brita e diminui custos
A classificação viária da CET
A CET não trata todas as ruas da mesma forma. Cada via tem uma classificação oficial que determina a velocidade máxima permitida, o tipo de sinalização e as regras de circulação.
As vias expressas — Marginais, Complexo Viário Maria Maluf, Minhocão — têm acesso controlado e velocidades mais altas. As vias arteriais são as grandes avenidas que estruturam o trânsito da cidade. As coletoras distribuem o tráfego entre arteriais e locais. E as locais são as ruas dos bairros.
Essa classificação é revisada periodicamente pela CET conforme a cidade muda — novas obras, novos fluxos, novas demandas. A base é dinâmica.
As ciclovias: a nova camada da malha
São Paulo tem 731 quilômetros de rede cicloviária — a maior do Brasil. Em 2023, o número superou os 700 km e a meta é chegar a 1.000 km.
A rede cicloviária é uma segunda malha sobreposta à viária. Ela inclui ciclovias (estruturas separadas do tráfego de carros), ciclofaixas (compartilhadas com o tráfego em horários específicos) e ciclorrotas (vias compartilhadas com sinalização especial).
Para os moradores que dependem de bicicleta — incluindo entregadores, trabalhadores da periferia e ciclistas de lazer —, essa rede representa uma alternativa real ao trânsito da cidade.
O desafio permanente dos buracos
Mesmo com o Asfalto Novo, o problema dos buracos persiste. São Paulo tem um regime de chuvas intenso que acelera a deterioração do pavimento. A variação de temperatura também contribui — o asfalto dilata e contrai, e ao longo do tempo os buracos se formam.
A Prefeitura criou o sistema de chamados por aplicativo para denúncia de buracos. Mas com 17 mil quilômetros de via, a reposição é permanentemente desafiada pela taxa de deterioração.
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Fontes: Prefeitura de SP · SMSub · CET-SP · SMT · www.portalsampanews.com.br/

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