Smart Sampa em números: 418 foragidos presos e 202 localizados só em 2026

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Smart Sampa em números: 418 foragidos presos e 202 localizados só em 2026
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O sistema de monitoramento Smart Sampa acumula um histórico crescente de ocorrências desde que entrou em operação, em agosto de 2023. A Prefeitura de São Paulo divulga periodicamente os resultados do programa — mas a leitura dos dados exige atenção aos critérios de classificação utilizados, que nem sempre permitem verificação independente.

[IMAGEM: câmeras de monitoramento em via pública de SP / operadores no centro de controle]

O que os números oficiais dizem

Em 2026, até abril, o Smart Sampa contribuiu para a prisão de 418 foragidos da Justiça — incluindo suspeitos de homicídio, estupro e participação em organizações criminosas. Desde o início do programa, o sistema registrou 1.153 prisões com auxílio do reconhecimento facial e 202 pessoas desaparecidas foram localizadas.

A Prefeitura anuncia também uma taxa de assertividade de 99,5% para o reconhecimento facial e destaca que, em 2025, a capital paulista registrou queda de 14,6% nos roubos em geral, de 21% nos roubos de veículos e de 25% nos latrocínios — atribuindo parte desses resultados ao programa.

RESULTADOS DIVULGADOS PELA PREFEITURA

418 foragidos presos com auxílio do sistema em 2026 (até abril)

1.153 prisões totais desde o início com uso de reconhecimento facial

202 pessoas desaparecidas localizadas desde a implantação

559 ocorrências com imagens compartilhadas com a Polícia Civil

99,5% — taxa de assertividade declarada pela gestão municipal

O que os números não dizem

Uma análise técnica produzida pelo Laboratório de Políticas Públicas e Internet (LAPIN), em parceria com o Instituto de Referência Negra Peregum e a Rede Liberdade, identificou inconsistências importantes nos relatórios. Segundo o estudo, das 1.153 prisões registradas, 540 foram classificadas como “outros” — sem qualquer detalhamento sobre a motivação. Isso representa quase metade do total, o que impede avaliação criteriosa sobre a qualidade ou a legalidade das abordagens.

Além disso, a pesquisa aponta que não há dados públicos suficientes para correlacionar diretamente a redução de crimes ao Smart Sampa especificamente — outros fatores, como policiamento ostensivo e sazonalidade, não são isolados na metodologia oficial.

Prisões em flagrante: outro indicador

Paralelas às prisões de foragidos pelo reconhecimento facial, as câmeras do Smart Sampa também geraram 2.344 prisões em flagrante — situações em que a câmera flagrou a ocorrência de um crime em tempo real e permitiu o acionamento imediato das forças de segurança. Esse número é computado separadamente e representa um uso distinto da tecnologia, com dinâmica jurídica própria.

O que a Prefeitura responde

Questionada sobre as inconsistências apontadas pelos pesquisadores, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana afirmou que “todos os alertas gerados pelo sistema são obrigatoriamente validados por agentes humanos” e que as câmeras “são utilizadas exclusivamente para fins de segurança pública, em conformidade com a LGPD”. A gestão também destaca aprovação superior a 89% da população ao programa, segundo pesquisas dos institutos IPESPE e Real Time Big Data realizadas em 2025.

O debate sobre metodologia, transparência e eficácia real do Smart Sampa está longe do fim — e a sociedade civil organizada segue pressionando por mais dados e menos opacidade.

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