Ucrânia faz maior ataque a Moscou da guerra e marca nova fase do conflito
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MUNDO · 19/06/2026 · MOSCOU
Drones ucranianos atingiram a refinaria de Kapotnya e cobriram a capital russa de fumaça preta. Foi, segundo autoridades russas, o maior ataque a Moscou desde o início da invasão — e o ápice de uma nova estratégia de guerra.
Na madrugada de quinta-feira (18), Moscou amanheceu sob uma coluna de fumaça preta. Uma onda de drones ucranianos atingiu a refinaria de petróleo da capital, no distrito de Kapotnya, num ataque que autoridades russas e a imprensa internacional classificaram como o maior contra a cidade desde o começo da invasão russa, há mais de quatro anos.
O episódio não foi isolado. Ele coroa uma mudança na forma como a Ucrânia conduz a guerra — deixando de mirar apenas a linha de frente para atingir alvos econômicos profundos no território russo. Este balanço reúne o que aconteceu no ataque e o que mudou no conflito nos últimos três meses.
O ataque de 18 de junho
Refinaria de Moscou (Kapotnya) — 2ª vez em três dias
Cerca de 555 drones abatidos na madrugada; ~180 a 194 perto de Moscou
Mais de uma dezena de regiões russas atingidas
Promessa de “ataques massivos em grupo” contra a Ucrânia
Os números de drones são informados por fontes russas (Ministério da Defesa e prefeitura de Moscou). Em coberturas de guerra, os dados divulgados por cada lado tendem a divergir e devem ser lidos com essa ressalva.
O que mudou: a doutrina do “bloqueio logístico”
O ataque a Kapotnya é a face mais visível de uma estratégia que a imprensa internacional vem chamando de “bloqueio logístico”. Em vez de concentrar fogo na linha de frente, a Ucrânia passou a usar milhões de drones de médio alcance para atingir refinarias, depósitos de combustível e transporte atrás das linhas russas.
A lógica é econômica antes de ser militar: ao danificar a capacidade de produzir e distribuir combustível, Kiev tenta corroer o esforço de guerra russo na origem e levar o custo do conflito para dentro das cidades russas. O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), centro de análise sediado em Washington, avalia que a frequência, o tamanho e a profundidade crescentes desses ataques expõem vulnerabilidades nas defesas aéreas russas.
Para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, os ataques profundos são a prova de que o país está virando o jogo. Ele afirmou que era “hora de a guerra acabar” e cobrou passos da Rússia na diplomacia. Já a Ucrânia apresentou o ataque também como represália a ofensivas russas, incluindo um ataque a um mosteiro histórico que havia gerado condenação internacional.
O trimestre que levou até aqui
O ataque a Moscou fecha um período de três meses em que tréguas pontuais conviveram com a continuidade dos combates. As pausas foram humanitárias e breves — nenhuma se converteu em acordo de paz.
| Quando | O que houve | Resultado |
|---|---|---|
| Abril | Trégua de 32h na Páscoa Ortodoxa | Pausa pontual; combates retornaram |
| 9 a 11 de maio | Trégua no Dia da Vitória, com troca de prisioneiros | Acusações mútuas de violação |
| 4 de junho | Carta aberta de Zelensky a Putin propõe cessar-fogo e troca “todos por todos” | Sem acordo formal |
| 18 de junho | Maior ataque de drones a Moscou da guerra | Rússia promete retaliação massiva |
As negociações formais seguem travadas pelos mesmos pontos de sempre: as exigências territoriais russas e os termos de monitoramento de um eventual cessar-fogo. Houve trocas de prisioneiros ao longo do trimestre, mas nenhuma das partes cedeu no essencial.
Alt text: coluna de fumaça sobre a capital russa após ataque de drones
O que está em jogo
O ataque a Moscou tem peso simbólico e econômico. Simbólico porque leva a guerra ao centro político da Rússia, num alvo que o Kremlin tem dificuldade de proteger. Econômico porque atinge a infraestrutura de combustível que sustenta a máquina de guerra — e, como veremos em texto à parte, pode ter efeitos que chegam até o consumidor brasileiro, via preço do petróleo e de insumos.
No curto prazo, o risco é de escalada: a Rússia prometeu responder com força, e cada ataque profundo tende a gerar represália. A diplomacia, por ora, segue como pano de fundo — invocada por ambos os lados, mas sem avanço concreto.
Fontes: Ministério da Defesa da Rússia; prefeitura de Moscou (Sergei Sobyanin); Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia; presidência da Ucrânia; Institute for the Study of War (ISW); agências e veículos internacionais (Reuters, NBC, ABC, NPR). Dados de cada lado atribuídos à respectiva fonte.
Verificação editorial
19/06/2026
Conflito em curso — números e cenário sujeitos a atualização


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