Brasil investiga dois casos suspeitos de Ebola em SP e no Rio; exames apontam meningite e malária
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BRASIL · 31 DE MAIO DE 2026 · SÃO PAULO / RIO DE JANEIRO
Pacientes vieram da República Democrática do Congo e de Uganda; nenhum caso confirmado até agora — investigação segue com protocolo federal ativado.
O Brasil investiga, neste domingo (31), dois casos suspeitos de infecção pelo vírus Ebola — um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Ambos os pacientes viajaram recentemente para países africanos afetados pelo surto em curso, foram isolados em unidades de referência e tiveram, até o momento, resultados positivos para outras doenças. Nenhum caso de Ebola foi confirmado.
O Ministério da Saúde ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais assim que os casos foram notificados, na tarde de sábado (30).
O que se sabe sobre cada caso
Homem, 37 anos, procedente da República Democrática do Congo. Apresentou febre alta, diarreia, desorientação e piora clínica rápida — foi intubado. Internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Exame no Instituto Adolfo Lutz apontou meningite meningocócica (Neisseria meningitidis). Investigação para Ebola continua.
Homem belga procedente de Uganda. Desembarcou no Brasil em 22 de maio pelo Aeroporto de Guarulhos e seguiu de ônibus ao Rio. Apresentou calafrios, tosse e diarreia. Internado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Exames de saliva e urina deram negativo para Ebola; resultado positivo para malária. Cinco pessoas do mesmo local de hospedagem estão sendo monitoradas preventivamente.
Nenhum caso confirmado. Investigação em andamento conforme protocolo. O Brasil nunca registrou um caso confirmado de Ebola.
O surto na África
O contexto global justifica a cautela das autoridades. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 27 de maio a República Democrática do Congo havia notificado 906 casos suspeitos, com 223 mortes entre os suspeitos. Dos 134 casos confirmados, nove estão em Uganda, com 18 óbitos entre os confirmados.
O surto atual é causado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola — variante que não circulava há mais de uma década e só esteve envolvida em dois surtos anteriores. A cepa apresenta desafios adicionais: os testes laboratoriais padrão, desenvolvidos para as cepas mais comuns, podem dar resultados negativos mesmo em infectados; não há vacina aprovada para o Bundibugyo; e não existem medicamentos antivirais específicos desenvolvidos para essa variante.
O surto ocorre, ainda, em zona de conflito, com cerca de 250 mil pessoas deslocadas — o que dificulta o rastreamento de contatos e o controle da disseminação.
O plano brasileiro
O Plano de Contingência Nacional ativado pelo Ministério da Saúde prevê intensificação da vigilância sobre viajantes procedentes dos países afetados, isolamento dos casos suspeitos, rastreamento e monitoramento dos contatos e coleta de segunda amostra de sangue 48 horas após a primeira — independentemente do resultado inicial, conforme protocolo padrão para febres hemorrágicas virais.
O documento não prevê fechamento de fronteiras nem restrições a voos ou ao comércio. O Brasil não tem voos diretos para as regiões africanas afetadas pelo surto atual.
Fontes: Ministério da Saúde; Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo; Prefeitura do Rio de Janeiro; Instituto de Infectologia Emílio Ribas; INI/Fiocruz; Organização Mundial da Saúde (OMS); Correio Braziliense; Estado de Minas; SBT News. Dados da OMS referentes a 27 de maio de 2026.

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