Câmara aprova PEC que acaba com a escala 6×1: o que muda, quem é afetado e o que vem agora

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Câmara aprova PEC que acaba com a escala 6×1: o que muda, quem é afetado e o que vem agora

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POLÍTICA · BRASIL · 29/05/2026 · BRASÍLIA

Com placar de 472 a 22, a Câmara aprovou a PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas — sem corte de salário. O texto vai ao Senado, onde a batalha ainda não está ganha.

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Plenário da Câmara dos Deputados durante votação da PEC 221/2019 em dois turnos — 27/05/2026
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Votação da PEC do fim da escala 6×1 no plenário da Câmara em 27 de maio de 2026 · Crédito: Câmara dos Deputados / Agência Brasil

Na quarta-feira (27), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a PEC 221/2019, que põe fim à escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal máxima das atuais 44 horas para 40 horas. No primeiro turno, o placar foi de 472 a 22. No segundo, 461 a 19. A margem superou com folga o quórum mínimo exigido de 308 votos (três quintos da Câmara).

O texto aprovado é um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator na comissão especial criada para acelerar a tramitação. Ele consolidou duas propostas originais — a PEC 221/2019 de Reginaldo Lopes (PT-MG) e a PEC 8/2025 de Erika Hilton (PSOL-SP) — que previam jornada de 36 horas. O acordo final fixou o limite em 40 horas semanais.

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O que a PEC aprovada na Câmara prevê
Nova jornada máxima
40 horas semanais (hoje: 44 horas)
Nova escala
5 dias de trabalho × 2 de folga (preferencialmente 1 aos domingos)
Redução salarial
Proibida — salário mantido integralmente
Transição
14 meses após promulgação (1ª etapa: 42h em 60 dias)
Exceção (alto salário)
Trabalhadores com diploma superior e salário ≥ R$ 21.189 podem negociar jornada diretamente com empregador, mantida a escala 5×2
MEI e pequenas empresas
Lei complementar específica será elaborada, podendo incluir aumento do teto MEI e permissão de mais contratações

O que diz a Constituição hoje

O artigo 7º da Constituição Federal de 1988, em seu inciso XIII, fixa a “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais”. A PEC altera diretamente esse dispositivo, que integra o rol de direitos sociais dos trabalhadores — os chamados “direitos fundamentais”. Trata-se, portanto, de uma cláusula de direito mínimo: a Constituição estabelece o teto de 44 horas, não um piso que os empregadores sejam obrigados a preencher. Em outras palavras, qualquer jornada inferior ao máximo constitucional já era e continua sendo legal — o que muda é o teto.

O texto aprovado também preserva, no art. 7º, XIII, a possibilidade de compensação de horários e redução de jornada via negociação coletiva com sindicatos (inciso XIV). Isso significa que acordos e convenções coletivas continuarão válidos, podendo estabelecer regimes diferenciados, desde que respeitem o novo limite de 40 horas e a escala 5×2.

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Deputada Erika Hilton (PSOL-SP), uma das autoras da PEC original — retrato

Erika Hilton (PSOL-SP)

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Deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da PEC 221/2019 — retrato

Reginaldo Lopes (PT-MG)

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Deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator do substitutivo aprovado — retrato

Leo Prates (Republicanos-BA), relator

Próximo passo: o Senado

A PEC segue agora para o Senado Federal, onde precisa de apoio de pelo menos 49 senadores (três quintos) em dois turnos de votação. Ainda na quarta-feira, antes mesmo da aprovação na Câmara, o plenário do Senado aprovou requerimento para sessão temática destinada a debater os impactos sociais e econômicos da proposta — sem data definida pela Mesa Diretora.

O rito de tramitação no Senado ainda não foi definido pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). As opções são: envio à CCJ e possivelmente à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), seguindo o rito regular, ou criação de comissão especial — caminho adotado pela Câmara para acelerar a votação. Se o Senado aprovar o texto sem alterações, a PEC é promulgada pelas Mesas das duas Casas. Se houver mudança no texto, a proposta retorna à Câmara.

📅
Cronologia da PEC
2019
PEC 221/2019 apresentada por Reginaldo Lopes (PT-MG) na Câmara
2025
Erika Hilton apresenta PEC 8/2025 (semana de 4 dias, 36h); debate ganha tração nacional
Dez/2025
CCJ do Senado aprova PEC 148/2015 (texto paralelo); texto vai ao plenário do Senado
Mai/2026
Comissão especial da Câmara instalada; substitutivo Leo Prates consolida 40h e escala 5×2
27/05/2026
Câmara aprova PEC em 2 turnos: 472 × 22 (1º) e 461 × 19 (2º). Segue ao Senado.

Setor produtivo já se movimenta

Na terça-feira (26), véspera da votação, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, reuniu-se com Alcolumbre para tentar segurar o avanço da proposta. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a proposta como “inadequada e inoportuna”, alertando para risco de aumento de custos sem ganho de produtividade. Já as centrais sindicais — CUT, Força Sindical, UGT e Contag — celebraram a aprovação como “conquista histórica” e convocaram trabalhadores a pressionar o Senado.

A expectativa dos parlamentares favoráveis à PEC é votar antes das eleições de outubro. O Senado, porém, ainda não confirmou calendário.

Fontes: Agência Senado (28/05/2026); Câmara dos Deputados — ficha de tramitação PEC 221/2019; Metrópoles (27/05/2026); A Crítica (28/05/2026); News Rondônia / Agência Brasil (28/05/2026); CNN Brasil.

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