Flávio Bolsonaro se reúne com Trump na Casa Branca e confirma apoio americano à pré-campanha

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de outubro de 2026, foi recebido na tarde de terça-feira (26) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington D.C. A reunião, realizada no Salão Oval, foi confirmada pelo próprio senador por meio das redes sociais, com a divulgação de fotografias ao lado do mandatário americano.

A confirmação do encontro encerrou dias de incerteza: antes do embarque, o próprio Flávio havia declarado que não havia solicitado a reunião — usando a expressão em inglês “nobody asked” — e afirmou que um eventual encontro dependeria exclusivamente da decisão da Casa Branca. A viagem foi realizada mesmo sem garantia prévia de agenda oficial.

Quem estava na reunião

  • Flávio Bolsonaro — senador pelo Rio de Janeiro (PL), pré-candidato à Presidência 2026
  • Eduardo Bolsonaro — ex-deputado federal, irmão de Flávio, residente nos EUA desde 2025; réu em processo no Brasil por coação e obstrução de Justiça
  • Paulo Figueiredo — comentarista político, neto do ex-presidente João Figueiredo (último da ditadura militar); também réu no Brasil pelos mesmos crimes; sócio histórico de Trump
  • Donald Trump — presidente dos Estados Unidos (Partido Republicano)

Segundo assessores do senador citados pela imprensa brasileira e portuguesa, o convite teria partido da própria Presidência norte-americana, após articulações conduzidas por Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado. Paulo Figueiredo, que mantém relação com Trump de longa data, também residia nos EUA e facilitou os contatos.

Contexto político: a viagem e a pré-campanha

A viagem a Washington ocorre em um dos momentos mais delicados desde que Flávio assumiu a pré-candidatura, indicado pelo pai Jair Bolsonaro — preso e condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado. Nas semanas anteriores, o senador enfrentou desgaste político expressivo após o vazamento de um áudio no qual conversava com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em circunstâncias que geraram críticas e questionamentos internos ao PL.

Para aliados do senador, a agenda internacional e especialmente o encontro com Trump seriam uma forma de reposicionar a imagem do pré-candidato no cenário político nacional, reforçando seu perfil de liderança com trânsito internacional. O “carimbo de Washington”, como parte do entorno descreveu, foi visto como instrumento de reconstrução da narrativa da campanha.

O encontro de Lula com Trump como pano de fundo

A reunião Flávio-Trump ocorre em um momento de tensão nas relações Brasil-EUA. No início de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve nos Estados Unidos e, segundo relatos, pediu a Trump que o governo americano não interferisse no processo eleitoral brasileiro. A recepção formal de um candidato de oposição na Casa Branca poucos dias depois foi interpretada por analistas como um sinal contrário — uma sinalização explícita de simpatia americana à oposição.

Vale registrar que tanto Eduardo Bolsonaro quanto Paulo Figueiredo respondem a processo na Procuradoria-Geral da República (PGR) do Brasil pelos crimes de coação e obstrução de Justiça, relacionados a supostas articulações junto ao governo americano com o objetivo de interferir no processo penal que culminou na condenação de Jair Bolsonaro. A presença de ambos na reunião com Trump adiciona uma camada de complexidade diplomática e jurídica ao episódio.

O que vem depois

Após a passagem por Washington, Flávio Bolsonaro tem agenda prevista para esta sexta-feira (29) em Curitiba, onde participará do lançamento da chapa paranaense do PL ao governo do Estado e ao Senado, ao lado de Sergio Moro (candidato ao governo), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL). O evento está agendado no White Hall Jockey Eventos, com capacidade para até 4 mil pessoas.

A combinação da agenda internacional com a movimentação no Paraná é lida pelo entorno do PL como parte da estratégia de consolidação da pré-campanha presidencial de Flávio em território nacional, após semanas de turbulência.

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