Pré-candidatos à Presidência em 2026: quem são, o que dizem as pesquisas e as polêmicas de cada um — atualizado em junho
⏳ Áudio em breve
ELEIÇÕES 2026 · JUNHO DE 2026 · BRASIL
Doze candidatos em campo, um desistente, um escândalo de áudio, uma visita à Casa Branca, a Marcha para Jesus e pesquisas que mudaram de figura em menos de 30 dias.

O prazo de filiação partidária encerrou em 4 de abril de 2026. Desde então, o quadro presidencial mudou mais do que o esperado: um escândalo de áudio abalou o segundo colocado nas pesquisas, Ciro Gomes desistiu da corrida presidencial, uma visita à Casa Branca dominou o noticiário por dias e a Marcha para Jesus, em 4 de junho em São Paulo, reuniu os principais candidatos da direita num mesmo palco pela primeira vez desde o início do desgaste político de maio. Este guia reúne os doze candidatos que seguem em campo, com os dados mais recentes de pesquisas e os principais fatos do período pré-eleitoral.

O que dizem as pesquisas em junho de 2026
O cenário eleitoral passou por alterações relevantes entre maio e junho. Três eventos concentraram o impacto: o vazamento de áudio comprometedor envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master), divulgado pelo The Intercept Brasil em meados de maio; a visita de Flávio à Casa Branca em 26 de maio; e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, no dia seguinte à visita.
A pesquisa Real Time Big Data de 29 e 30 de maio (registro TSE BR-05864/2026, 2.000 entrevistados, margem de 2 pontos percentuais) mostra Lula vencendo Flávio em eventual segundo turno por 45% a 40%. No mesmo levantamento, o petista empata tecnicamente com Ronaldo Caiado (43% a 43%) e com Romeu Zema (43% a 40%). O Datafolha de 20 e 21 de maio (registro TSE BR-07489/2026, 2.004 entrevistados) registrou impacto direto do escândalo do áudio: Lula passou a liderar o primeiro turno com 9 pontos de vantagem sobre Flávio — na pesquisa da semana anterior ao caso, os dois estavam empatados tecnicamente.

Abaixo da margem de erro nos levantamentos disponíveis
A pesquisa da Genial/Quaest com campo entre 5 e 8 de junho (registro TSE BR-07661/2026, 2.004 entrevistados) estava em coleta no fechamento desta edição. Será o primeiro levantamento da Quaest após a série de eventos de maio e deve oferecer o retrato mais completo do impacto do caso Vorcaro no cenário presidencial.
🟢 Campo da Esquerda
Luiz Inácio Lula da Silva — PT

Presidente em exercício, 80 anos, candidato à reeleição pelo PT. Mantém Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa. É o candidato com maior intenção de voto em todos os levantamentos recentes.
Contexto pré-eleitoral: Ao longo de 2025, Lula condicionou repetidamente a candidatura ao estado de saúde — após se recuperar de uma queda doméstica em outubro de 2024 e de uma cirurgia de emergência craniana em dezembro do mesmo ano. Em 2026, o tom mudou: o presidente se apresenta como candidato definido. No plano externo, o governo reagiu à classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA, ocorrida no dia seguinte à visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca em 26 de maio, com acusações de que o senador teria feito lobby contra o Brasil junto a um governo estrangeiro.
Pesquisas: Lula lidera o 1º turno em todos os cenários testados. No 2º turno, a margem sobre Flávio oscilou de empate técnico (antes do escândalo do áudio Vorcaro) para vantagem de 5 pontos percentuais nos levantamentos posteriores. Empata tecnicamente com Caiado e Zema em simulações de 2º turno, segundo a Real Time Big Data de junho de 2026.
Edmilson Costa — PCB
Candidato do Partido Comunista Brasileiro, representa a candidatura mais à esquerda do espectro. O PCB não atingiu o quociente eleitoral nas últimas eleições, o que limita o acesso ao tempo de televisão e ao Fundo Eleitoral. Aparece abaixo de 1% nas pesquisas que o incluem.
Hertz Dias — PSTU
Rapper, professor de escola pública e militante do movimento negro, lançado pelo PSTU em fevereiro de 2026. É o candidato mais jovem entre os pré-candidatos. Compôs chapa como vice na candidatura de Vera Lúcia em 2018. Não aparece nas principais pesquisas por estar abaixo da margem de erro.
Samara Martins — UP (Unidade Popular)
Dentista e vice-presidente da Unidade Popular, lançou pré-candidatura em fevereiro de 2026. Foi candidata a vice na chapa de Leonardo Péricles em 2022. A UP não tem representação no Congresso. Não aparece nas pesquisas divulgadas.
Rui Costa Pimenta — PCO
Presidente do PCO desde 1995, já disputou a Presidência em 2002, 2010 e 2014. Jornalista e dirigente histórico do partido, que mantém posição crítica tanto ao PT quanto às demais forças da esquerda. Sem expressão eleitoral nas pesquisas.
🟡 Centro e Terceira Via
Augusto Cury — Avante
Psiquiatra e escritor, autor de O Vendedor de Sonhos, publicado em mais de 70 países. Filiou-se ao Avante em 5 de abril de 2026, em sua primeira candidatura eleitoral. Declara que a candidatura vai até o fim. Aparece abaixo de 1% nas pesquisas que o incluem.
Aldo Rebelo — DC (Democracia Cristã)
Ex-presidente da Câmara dos Deputados (2005–2007) e ex-ministro nos governos Lula e Dilma (Esportes, Ciência e Tecnologia, Defesa). Migrou do PCdoB para o MDB e, em seguida, para a DC. Nos últimos anos aproximou-se do campo conservador, tendo atuado como secretário na gestão do prefeito Ricardo Nunes em São Paulo. Aparece com cerca de 1% nas pesquisas, segundo Datafolha e Atlas/Bloomberg.
Renan Santos — Missão

Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente do partido Missão, criado por ele. Com 42 anos, esta é sua primeira eleição. Paulistano, autodescreve sua candidatura como “Milei na forma e Bukele no conteúdo” — referência ao presidente libertário argentino e ao presidente salvadorenho conhecido pelo combate radical ao crime organizado.
Segurança pública como eixo central: A principal aposta eleitoral de Renan Santos é a pauta de segurança pública, tratada como prioridade absoluta da campanha. O partido defende o endurecimento penal, a retomada de territórios dominados por facções criminosas e cita o “modelo Bukele” de El Salvador como referência. Em entrevista à Itatiaia, Renan declarou que, se eleito, decretaria Estado de Defesa nas regiões ocupadas pelo crime organizado. “Nós vamos prender, vamos colocar na cadeia, prender ou matar todas as lideranças do crime”, afirmou. A linha de ataque ao crime é constante nas redes sociais do candidato, com vídeos publicados regularmente sobre casos de violência urbana.
Em 4 de junho de 2026, Renan publicou vídeo nas redes comentando o assassinato de Gabriel Bueno, 25 anos, morto a tiros durante um assalto no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. A vítima entregou o celular ao assaltante mas foi baleada pelas costas — o criminoso teria se irritado com o modelo do aparelho. Renan usou o caso para reforçar a defesa de endurecimento penal e afirmar que o Brasil vive uma guerra contra o crime organizado.
Estratégia digital e crescimento nas pesquisas: Grande parte da projeção de Renan Santos vem das redes sociais — TikTok, YouTube e X. A campanha aposta em conteúdos virais como forma de furar a polarização entre PT e PL. Em pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, entre os eleitores de 16 a 24 anos, Renan apareceu com cerca de 18,6% das intenções de voto nessa faixa etária, atrás apenas de Lula entre o eleitorado jovem. Nas redes, o tom é frequentemente combativo — em transmissão ao vivo, chegou a chamar o senador Flávio Bolsonaro de “vagabundo”.
Movimento nas pesquisas gerais: A pesquisa Atlas/Bloomberg de 28 de abril registrou Renan Santos com pouco mais de 5% das intenções de voto no 1º turno, ultrapassando Zema e Caiado pela primeira vez. Em pesquisa da Real Time Big Data de 1º de junho, 26% dos entrevistados o apontam como o principal representante da terceira via no Brasil — à frente de Zema (16%) e Caiado (8%). No cenário de segundo turno contra Lula, o desempenho segue mais fraco do que o dos demais candidatos da direita. A Quaest de junho deve confirmar ou relativizar essa trajetória.
🔴 Campo da Direita
Flávio Bolsonaro — PL

Senador pelo Rio de Janeiro, 45 anos, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro — inelegível até 2030 pelo TSE e condenado a 27 anos de prisão pelo STF por tentativa de golpe de Estado. Foi escolhido pelo pai, em dezembro de 2025, para representar o campo bolsonarista na disputa presidencial. Esta seria sua primeira candidatura ao Executivo federal.
Polêmica do áudio Vorcaro: Em meados de maio de 2026, o The Intercept Brasil divulgou áudios e mensagens em que Flávio cobra o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pelo financiamento do filme Dark Horse — produção sobre a vida de Jair Bolsonaro. Cerca de R$ 61 milhões de um total negociado de R$ 134 milhões teriam sido pagos. Flávio confirmou ter se encontrado com Vorcaro após a prisão do banqueiro em novembro de 2025. O impacto nas pesquisas foi imediato: segundo a Atlas/Bloomberg, o senador perdeu mais de cinco pontos percentuais nas intenções de voto de primeiro turno e seis pontos em simulação de segundo turno contra Lula. A pesquisa Meio/Ideia de 28 de maio identificou perda de apoio entre os mais jovens, os mais ricos, moradores do Norte e do Centro-Oeste e eleitores de centro-direita.
Visita à Casa Branca: Em 26 de maio, Flávio se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval. No encontro, pediu que Trump declarasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. No dia seguinte, os EUA anunciaram exatamente isso. A medida gerou reação do governo Lula, que acusou o senador de lobby contra o Brasil junto a governo estrangeiro. A coincidência de datas gerou o apelido “TariFlávio” nos bastidores políticos, associado também às ameaças de tarifas comerciais dos EUA anunciadas na mesma semana.
Marcha para Jesus — 4 de junho, São Paulo: Na 34ª edição da Marcha para Jesus, realizada em São Paulo com percurso da Estação da Luz até a Praça Heróis da FEB, Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) dividiram o carro de som pela primeira vez desde o início do desgaste político de maio — nas semanas anteriores, Tarcísio havia mantido distanciamento estratégico do senador. O evento foi interpretado como um sinal de normalização da relação entre os dois principais líderes da direita paulista. No discurso, Flávio afirmou que “o mal vai ser expulso do Brasil este ano.”
Pesquisas: Segundo a Real Time Big Data de 29–30 de maio, Flávio aparece com 38% no 1º turno. No 2º turno contra Lula, 40% a 45%. A Quaest de campo entre 5 e 8 de junho será o primeiro retrato completo do período pós-escândalos.
Ronaldo Caiado — PSD

Ex-governador de Goiás (2019–2026), médico e ex-deputado federal. O PSD formalizou seu apoio à candidatura presidencial. Aparece entre 3% e 6% nas pesquisas de primeiro turno. Analistas avaliam que Caiado seria o adversário mais competitivo contra Lula caso Flávio Bolsonaro deixasse a disputa — hipótese ainda remota mas discutida nos bastidores após o escândalo do áudio. O PSD avalia a inclusão de Gilberto Kassab na chapa.
Marcha para Jesus — 4 de junho, São Paulo: Caiado chegou ao evento já na fase final, por volta das 16h30, acompanhado de sua esposa e de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Em discurso no palco, prometeu: “Se chegarmos lá, nós vamos devolver o Brasil aos brasileiros de bem.” Após o evento, afirmou em entrevista que a marcha “resgata o sentimento da família e faz com que as pessoas reflitam para poder não irem para o lado do crime.”
Zema sinalizou, no mesmo período, que não descarta compor chapa com Caiado: “a conversa pode prosperar”, declarou à imprensa.
Romeu Zema — Novo
Ex-governador de Minas Gerais (2019–2026) e empresário do setor de materiais de construção. Representa a vertente liberal-conservadora da direita. Aparece entre 2% e 5% nas pesquisas de primeiro turno, sem conseguir superar essa faixa de forma consistente ao longo do primeiro semestre de 2026. Em maio, esteve presente na agenda de Minas Gerais junto a Flávio Bolsonaro, com ambos fazendo acenos ao setor agropecuário na Megaleite, em Belo Horizonte.
Cabo Daciolo — Mobiliza (Mobilização Nacional)
Bombeiro militar aposentado, pastor evangélico e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro (2015–2019). Candidato à Presidência pela terceira vez — disputou em 2018 com 1,26% dos votos e em 2022. Filiou-se ao partido Mobiliza em abril de 2026. Não aparece nas pesquisas por estar abaixo da margem de erro.
Quem saiu da corrida: Ciro Gomes
O ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará Ciro Gomes havia sido convidado pelo PSDB, sob a presidência de Aécio Neves, para disputar a Presidência como candidato de terceira via. Em 11 de maio, confirmou a desistência da corrida presidencial e anunciou pré-candidatura ao governo do Ceará.

Quadro geral — todos os candidatos
| Nome | Partido | Campo | 1º turno (ref. mai–jun/2026) |
|---|---|---|---|
| Lula | PT | Esquerda | 38%–46% |
| Flávio Bolsonaro | PL | Direita | 31%–40% ↓ pós-áudio |
| Renan Santos | Missão | Direita liberal | ~5% ↑ em ascensão |
| Ronaldo Caiado | PSD | Direita | 3%–6% |
| Romeu Zema | Novo | Direita liberal | 2%–5% |
| Aldo Rebelo | DC | Centro-direita | ~1% |
| Augusto Cury | Avante | Centro | <1% |
| Cabo Daciolo | Mobiliza | Direita | <1% |
| Edmilson Costa | PCB | Esquerda | <1% |
| Hertz Dias | PSTU | Esquerda | <1% |
| Samara Martins | UP | Esquerda | <1% |
| Rui Costa Pimenta | PCO | Esquerda | <1% |
Fontes de pesquisa: Real Time Big Data (TSE BR-05864/2026, 29–30/mai/2026); Datafolha (TSE BR-07489/2026, 20–21/mai/2026); Atlas/Bloomberg (abr/2026); Meio/Ideia (TSE BR-02918/2026, 23–27/mai/2026); Genial/Quaest (mar/2026, TSE BR-05809/2026). Todos os candidatos são tecnicamente pré-candidatos até o registro oficial nas convenções (jul/ago 2026).
O que ainda pode mudar até outubro
Campo 5–8 jun — primeiro retrato completo pós-escândalos de maio, divulgação prevista em 10 de junho
Candidaturas podem ser retiradas ou confirmadas entre 20 jul e 5 ago
Investigações do MP e da Polícia Federal em andamento — desdobramentos podem afetar Flávio Bolsonaro
PSD avalia chapa com Kassab; Zema sinaliza abertura para compor com Caiado
USTR recomendou tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros — impacto político e econômico em aberto
Fontes: Datafolha (mai/2026, TSE BR-07489/2026); Real Time Big Data (mai–jun/2026, TSE BR-05864/2026); Atlas/Bloomberg (abr/2026); Meio/Ideia (mai/2026, TSE BR-02918/2026); Genial/Quaest (mar/2026, TSE BR-05809/2026); The Intercept Brasil; CartaCapital; Congresso em Foco; CNN Brasil; Metrópoles; Gazeta do Povo; O Tempo; Revista Oeste; Exame; O Antagonista; Itatiaia; Al Jazeera; Reuters — maio e junho de 2026.

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