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Os semáforos inteligentes de SP são realmente inteligentes?

O nome técnico correto é "adaptativo", não inteligente. Câmeras contam carros, algoritmos ajustam tempos, humanos definem os limites. E a própria CET admite: a IA ainda não dá conta da complexidade de SP.

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O nome “semáforo inteligente” é um apelo de marketing. O nome técnico correto, usado pela própria SP Regula, é “semáforo adaptativo”.

A diferença não é semântica. É uma distinção importante sobre o que o sistema faz — e o que ele não faz.

Como funciona o sistema adaptativo

O semáforo adaptativo instalado em São Paulo funciona com três componentes principais.

Câmeras instaladas em cada cruzamento capturam imagens do tráfego em tempo real. O sistema converte essas imagens em dados — contagem de veículos por via, por direção, por ciclo. Esses dados alimentam o sistema central SCATS (Sydney Coordinated Adaptive Traffic System), que calcula e ajusta os tempos de verde e vermelho de cada fase dentro dos parâmetros previamente definidos pela CET.

O resultado é um semáforo que varia seu tempo conforme o fluxo real — não conforme um plano fixo programado horas antes. Em teoria, via com mais carros recebe mais tempo de verde. Via vazia recebe menos.

🔄 Como o semáforo adaptativo funciona
1
📷
Câmera conta veículos
em cada direção

Sensor de fluxo · imagens convertidas em dados em tempo real

2
🖥️
SCATS calcula
tempo ideal

Sistema central ajusta tempos via algoritmo · dentro dos limites da CET

3
🚦
Semáforo aplica
o ajuste

Após alguns ciclos · mudanças graduais · agentes de rua supervisionam

O que a CET controla — e por quê

O sistema não opera de forma completamente autônoma. A CET define, para cada cruzamento, os tempos mínimos e máximos de verde. O algoritmo só pode variar dentro desses limites.

A razão para isso é técnica e de segurança. Sem limites humanos, o sistema poderia, em teoria, fechar um semáforo de pedestre quase completamente para otimizar o fluxo de veículos. A “trava” evita que a IA priorize o sistema total em detrimento de um cruzamento específico de forma inaceitável para os usuários.

Os agentes da CET na rua continuam essenciais — eles detectam situações que as câmeras não capturam e entram em contato com a central quando necessário.

O que o sistema não faz — ainda

O semáforo adaptativo de São Paulo não considera o tempo de espera dos pedestres como parâmetro de otimização. O algoritmo foi calibrado para o fluxo veicular. O pedestre entra na equação apenas de forma indireta, pelos tempos mínimos definidos pela CET.

Especialistas em mobilidade ativa criticam exatamente esse ponto. Conforme mais veículos chegam a um cruzamento, o sistema pode aumentar o verde para carros — e reduzir indiretamente o verde para pedestres, dentro dos limites permitidos.

Além disso, o sistema leva alguns ciclos para reagir a mudanças — não é instantâneo. A resposta é deliberadamente gradual para evitar variações bruscas que causem confusão.

O que a própria CET admite

Em entrevista ao Metrópoles, a CET foi direta: “A inteligência artificial ainda não é capaz de dar conta de todas as complexidades de uma cidade como São Paulo.” Por isso, o humano por trás da máquina permanece fundamental.

O diretor da SP Regula, Mauricio Nastari, quando questionado sobre resultados concretos, disse: “Ainda é muito cedo para colocarmos números nisso.” Isso após a instalação de um sistema que custará R$ 1,12 bilhão.

Os dados que geram dúvida

As queixas sobre o tempo dos semáforos registradas no sistema 156 da Prefeitura aumentaram 14% em 2024 comparado ao mesmo período de 2023 — justamente quando os semáforos adaptativos começaram a entrar em operação. Foram 2.127 pedidos de ajuste entre jáneiro e setembro de 2024.

Os bairros com mais reclamações foram justamente aqueles que passaram a contar com os semáforos adaptativos: Vila Mariana, Sé, Lapa e Pinheiros.

A CET defende que o sistema ainda está em fase de ajuste e que não é possível analisar pontos isolados. A explicação é tecnicamente razoável — um sistema interligado em rede precisa de tempo para atingir equilíbrio. Mas é uma resposta que não conforta quem espera dois minutos num vermelho.

✅ O que o sistema faz
Conta veículos via câmera · ajusta tempos via algoritmo · opera em rede coordenada · respostas graduais
❌ O que não faz
Não considera espera do pedestre como parâmetro · não reage instantaneamente · não opera de forma totalmente autônoma
📊 Reclamações no 156
2.127 pedidos de ajuste (ján–set 2024) · aumento de 14% em relação ao mesmo período de 2023
⚠️ CET admite
“A IA ainda não é capaz de dar conta de todas as complexidades de SP” · participação humana permanece fundamental

Fontes: Metrópoles · SP Regula · CET-SP · Digicon · Exame · www.portalsampanews.com.br/

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