Semáforos de SP: quem define o tempo, quem controla e quem paga
São Paulo tem 6.200 cruzamentos semaforizados. A CET programa os tempos, a Ilumina SP mantém os equipamentos e o contrato custa R$ 1,12 bilhão. Mas quem garante que o sistema funciona para o pedestre — e não só para o carro?
São Paulo tem aproximadamente 6.200 cruzamentos semaforizados. É um número que impressiona — e que esconde uma estrutura de gestão com três atores, contratos milionários e uma pergunta incômoda: o sistema foi desenhado para quem?
Entender quem define o tempo dos semáforos de São Paulo é entender também por que, em alguns cruzamentos, você espera quase dois minutos num vermelho — e por que os semáforos “inteligentes” nem sempre parecem tão inteligentes.
Semáforo em São Paulo com câmera do sistema adaptativo
Moldura amarela identifica equipamentos em modernização
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Semáforo com câmera do sistema adaptativo — moldura amarela identifica cruzamentos em modernização · Foto: William Cardoso/Metrópoles
Os três atores do sistema semafórico
A gestão dos semáforos de São Paulo é dividida entre três instâncias com funções distintas.
A CET — Companhia de Engenharia de Tráfego é o cérebro técnico. Define os tempos de verde, vermelho e amarelo de cada semáforo; estabelece os parâmetros mínimos e máximos de abertura; programa os planos semafóricos e coordena as redes. Qualquer alteração nos tempos passa pela CET — inclusive nos semáforos adaptativos, onde ela define os limites dentro dos quais o sistema pode variar automaticamente.
A Ilumina SP é a concessionária responsável pela infraestrutura física desde setembro de 2022 — os equipamentos, cabos, controladores, câmeras e manutenção. O contrato é uma PPP (Parceria Público-Privada) com prazo de 17 anos.
A SP Regula — Agência Reguladora de Serviços Públicos fiscaliza o contrato da PPP e garante que a concessionária cumpra as obrigações de qualidade e prazo. A CET permanece como gestora técnica do trânsito.
~6.200 cruzamentos · sendo 4.000 em tempo fixo e ~2.000 com potencial adaptativo
CET · engenheiros de tráfego definem parâmetros de min/max verde por cruzamento
Ilumina SP · concessionária · PPP assinada em set/2022 · vigência 17 anos
SP Regula · agência reguladora municipal
R$ 1,12 bilhão · primeiros 60 meses de modernização e manutenção
A norma que rege os tempos
Em nível federal, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB — Lei 9.503/1997) estabelece as normas gerais de sinalização semafórica. O CONTRAN e o antigo Denatran publicaram resoluções complementares que definem padrões técnicos que todos os municípios devem seguir como piso mínimo.
Em nível municipal, São Paulo tem a CET como autoridade de engenharia de tráfego. A CET estabelece metodologias próprias de cálculo — como a fórmula de Webster para ciclo ótimo — e adapta os parâmetros para cada cruzamento com base no volume de tráfego, largura da via e características dos usuários.
O Estatuto do Pedestre de São Paulo — legislação municipal — estabelece que o tempo de espera do pedestre não deve ultrapassar 90 segundos. A CET admite, em nota oficial, que “eventualmente, em algumas avenidas, pode chegar a dois minutos”.
O que define o tempo do seu semáforo
Cada semáforo tem um “plano” — uma programação com os tempos de cada fase do ciclo. Em São Paulo, a maioria dos semáforos tem múltiplos planos: um para o horário de pico da manhã, um para o pico da tarde, um para os horários intermediários e um para a madrugada.
Esses planos são definidos por engenheiros da CET com base em contagens de tráfego, levantamentos de campo e fórmulas técnicas. Nos semáforos adaptativos, os planos definem os limites mínimos e máximos — e o sistema varia automaticamente dentro desses limites conforme o fluxo.
O problema da coordenação entre fabricantes
São Paulo acumula décadas de licitações diferentes para seus semáforos. O resultado: controladores de múltiplos fabricantes instalados pela cidade, com protocolos de comunicação incompatíveis entre si. Isso dificulta a coordenação em redes semafóricas — o conjunto de semáforos consecutivos de uma via que precisam funcionar sincronizados para criar “ondas verdes”.
A modernização em curso, com controladores Digicon CD300 Vanguard e o sistema SCATS, busca resolver esse problema nas áreas do Minianel Viário. Mas os 4.000 semáforos de tempo fixo que ficam de fora da modernização inicial continuam com o problema da fragmentação.
De 6.200 cruzamentos semaforizados, apenas 2.586 estão no escopo da modernização adaptativa — os do Minianel Viário. Os outros 3.600 continuam com programação em tempo fixo, sem câmeras e sem adaptação ao fluxo real. É a maior parte do parque semafórico da cidade.
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Fontes: CET-SP · SP Regula · Prefeitura de SP · Digicon · CTB (Lei 9.503/97) · www.portalsampanews.com.br/

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