Os maiores terremotos da história: de Lisboa 1755 à Venezuela 2026

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Os maiores terremotos da história: de Lisboa 1755 à Venezuela 2026

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INTERNACIONAL · 25 DE JUNHO DE 2026 · CONTEXTO

Do terremoto que destruiu Lisboa em 1755 ao abalo desta semana na Venezuela, uma linha do tempo dos maiores tremores já registrados — e o que cada um ensinou.

Os terremotos que atingiram a Venezuela nesta semana reacenderam uma pergunta antiga: onde mais o planeta já tremeu com tamanha força? A história está cheia de respostas, algumas delas entre as maiores tragédias já vividas pela humanidade.

Reunimos abaixo uma linha do tempo dos abalos mais marcantes — escolhidos não só pela magnitude, mas pelo que representaram para a ciência, para as cidades e para a forma como o mundo aprendeu a se proteger.

⚠️
Antes de ler os números
Eventos antigos
Magnitudes anteriores a 1900 são estimativas feitas a partir dos danos, não medições diretas
Número de mortes
Para eventos históricos, são intervalos — fontes divergem
Escala
Magnitude de momento (Mw), referência atual do USGS

📊 INSERIR INFOGRÁFICO / ARTE DE DADOS AQUI
Sugestão: Mapa-múndi marcando os 13 epicentros da linha do tempo, com cor por magnitude
Formato sugerido: quadrado 1:1 ou paisagem 4:3
Paleta: vermelho #E8151B · azul #1a4fa0 · branco #ffffff
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Linha do tempo: 13 grandes abalos

Ano · Local Magnitude Mortes (estimadas) Marca registrada
1556 · Shaanxi (China) ~8,0 (estimada) ~830 mil O mais letal já registrado
1755 · Lisboa (Portugal) ~7,7 a 9,0 (estimada) 10 mil a 60 mil Nascimento da sismologia moderna
1906 · San Francisco (EUA) ~7,9 ~3 mil Falha de San Andreas; engenharia urbana
1920 · Haiyuan/Gansu (China) 7,8 a 8,5 (conflitante) 200 mil a 240 mil Dados oficiais divergentes
1960 · Valdivia (Chile) 9,5 ~1,6 mil a 6 mil O mais forte já medido na história
1964 · Alasca (EUA) 9,2 ~130 2º mais forte já medido
1976 · Tangshan (China) ~7,6 ~242 mil (oficial) Cidade sem preparo sísmico
2004 · Sumatra (Indonésia) ~9,1 ~228 mil Tsunami do Oceano Índico
2008 · Sichuan (China) ~7,9 ~69 mil Debate sobre escolas desabadas
2010 · Haiti 7,0 ~220 mil a 300 mil Pobreza amplia a tragédia
2011 · Tōhoku (Japão) 9,0 a 9,1 ~18 mil a 22 mil Tsunami e desastre de Fukushima
2023 · Turquia e Síria 7,8 e 7,7 +50 mil Maior do mundo desde o Haiti
2026 · Venezuela 7,2 e 7,5 164 (balanço de 25/06) Maior na região em mais de um século

1556, China: o mais letal da história

O terremoto de Shaanxi, em 1556, é apontado como o mais mortal já registrado. As estimativas falam em cerca de 830 mil mortes — número impressionante explicado, em parte, por uma característica da região: milhões de pessoas viviam em casas escavadas no solo de loess, um sedimento macio que desabou sobre os moradores.

1755, Lisboa: o terremoto que mudou a ciência

Em 1º de novembro de 1755, dia de Todos os Santos, um forte abalo seguido de tsunami e incêndios destruiu boa parte de Lisboa. As estimativas de mortes variam de 10 mil a 60 mil, e a magnitude, calculada hoje a partir dos relatos, é apontada entre 7,7 e 9,0.

O impacto foi além da destruição. O episódio inspirou pensadores iluministas como Voltaire e Kant e levou às primeiras tentativas de explicar cientificamente um terremoto. É por isso que Lisboa 1755 costuma ser chamada de marco do nascimento da sismologia moderna.

1906, San Francisco: a lição da engenharia

O abalo que atingiu San Francisco em 1906, ligado à falha de San Andreas, matou cerca de 3 mil pessoas — boa parte nos incêndios que se seguiram. O evento se tornou referência no estudo de falhas geológicas e impulsionou normas de construção em zonas sísmicas.

1960, Valdivia: o mais forte já medido

O terremoto de Valdivia, no Chile, em 1960, alcançou magnitude 9,5 — o maior já registrado por instrumentos na história. Durou vários minutos e gerou um tsunami que cruzou o Pacífico, causando mortes até no Havaí, no Japão e nas Filipinas. As estimativas de vítimas no Chile variam bastante conforme a fonte.

1976, Tangshan: uma cidade sem preparo

A cidade chinesa de Tangshan era considerada de baixo risco sísmico, e seus prédios não foram construídos para resistir a tremores. Em 1976, um abalo de magnitude próxima a 7,6 matou, segundo dados oficiais, cerca de 242 mil pessoas — um dos episódios mais letais do século XX.

2004, Sumatra: o tsunami que chocou o mundo

O terremoto de magnitude próxima a 9,1 na costa de Sumatra, na Indonésia, gerou um dos tsunamis mais devastadores já vistos. As ondas atingiram dezenas de países ao redor do Oceano Índico e deixaram cerca de 228 mil mortos ou desaparecidos. O desastre acelerou a criação de sistemas de alerta de tsunami na região.

2010, Haiti: quando a pobreza pesa mais que a magnitude

O terremoto do Haiti, de magnitude 7,0, foi muito menos potente que o do Chile em 1960 — mas o impacto humano foi imensamente maior, com estimativas que vão de 220 mil a 300 mil mortes. O caso virou símbolo de uma lição dura: a letalidade de um terremoto depende tanto da força quanto da qualidade das construções e da capacidade de resposta do país.

2011, Japão: tsunami e crise nuclear

O terremoto de Tōhoku, em 2011, com magnitude em torno de 9,0, provocou um tsunami que engoliu cidades inteiras na costa japonesa e desencadeou o pior acidente nuclear do país, em Fukushima. Mesmo com a alta preparação do Japão, mais de 18 mil pessoas morreram ou desapareceram.

2023, Turquia e Síria: o grande abalo recente

Em fevereiro de 2023, dois terremotos de magnitude 7,8 e 7,7 atingiram o sul da Turquia e o norte da Síria, com poucas horas de diferença. Mais de 50 mil pessoas morreram, em um inverno rigoroso que dificultou os resgates. Foi o desastre sísmico mais mortal do mundo desde o Haiti.

2026, Venezuela: o evento desta semana

O capítulo mais recente dessa história se escreve agora. Dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho, com 38 segundos de diferença. O balanço oficial de 25 de junho aponta 164 mortos — número que pode subir — no maior abalo a atingir a região em mais de um século.

Fontes: Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS); registros históricos e estudos sismológicos sobre os eventos de 1556, 1755, 1906 e 1920; balanços oficiais e cobertura de agências (Reuters, AFP, AP) para os eventos recentes; balanço da presidente interina Delcy Rodríguez (25/06) para a Venezuela.

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