Dossiê: os governadores de São Paulo na era democrática — de Prudente de Moraes a Tarcísio
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ELEIÇÕES 2026 · 11/06/2026 · SÃO PAULO
O cargo de governador só existe em São Paulo desde 1935. Antes, o estado teve donatários, capitães-mor e presidentes. Este dossiê reconstitui a linha do poder paulista.
São Paulo é o estado com o maior eleitorado do país e um dos centros políticos mais decisivos do Brasil. Mas o título de “governador”, como usamos hoje, é relativamente recente: surgiu apenas com a Constituição Estadual de 1935. Antes disso, quem comandava o território paulista usava outros nomes.
Antes do “governador”: uma longa linhagem
A trajetória administrativa de São Paulo começou ainda no período colonial. A capitania foi doada por dom João III de Portugal ao explorador Martim Afonso de Sousa. Ao longo dos séculos, o território foi comandado por donatários, capitães-mor e, após a Independência, por presidentes de província nomeados pelo imperador.
Com a Proclamação da República, em 1889, o cargo passou a se chamar presidente do estado. O primeiro a ocupá-lo foi Prudente de Moraes — que mais tarde se tornaria o primeiro presidente civil do Brasil. Só em 1935 a denominação “governador” entrou em vigor.
Este dossiê foca na era democrática moderna — os governadores eleitos pelo voto direto a partir da redemocratização, com a Constituição estadual de 1989.

Os governadores eleitos desde a redemocratização
A relação a seguir reúne os governadores que assumiram o Palácio dos Bandeirantes a partir da redemocratização, incluindo os vices que efetivaram o cargo. O mandato é de quatro anos, com direito a uma reeleição consecutiva.
| Governador | Período | Observação |
|---|---|---|
| Franco Montoro | 1983–1987 | 1º eleito após a redemocratização do voto direto estadual |
| Orestes Quércia | 1987–1991 | — |
| Luiz Antônio Fleury Filho | 1991–1995 | — |
| Mário Covas | 1995–2001 | Reeleito; faleceu no cargo em 2001 |
| Geraldo Alckmin | 2001–2006 | Assumiu como vice; depois eleito |
| Cláudio Lembo | 2006–2007 | Vice; assumiu com a saída de Alckmin |
| José Serra | 2007–2010 | Renunciou para disputar a Presidência |
| Alberto Goldman | 2010–2011 | Vice; concluiu o mandato |
| Geraldo Alckmin | 2011–2018 | 2º período; reeleito em 2014 |
| Márcio França | 2018–2019 | Vice; assumiu na reta final |
| João Doria | 2019–2022 | Renunciou para disputar a Presidência |
| Rodrigo Garcia | 2022–2023 | Vice; concluiu o mandato |
| Tarcísio de Freitas | 2023–atual | Republicanos; encerrou ~30 anos de hegemonia do PSDB |
A era PSDB e sua ruptura
Entre 1995 e 2022, São Paulo viveu um ciclo praticamente ininterrupto sob o PSDB, com Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra e João Doria revezando o comando do Palácio dos Bandeirantes. Foram quase três décadas de hegemonia tucana no estado mais populoso do país.
Esse ciclo se encerrou em 2022. Tarcísio de Freitas, do Republicanos, ex-ministro da Infraestrutura, derrotou Fernando Haddad (PT) no segundo turno e assumiu em 1º de janeiro de 2023, ao lado do vice Felício Ramuth. Foi a primeira vez que o campo bolsonarista chegou ao governo paulista.
Governo de São Paulo hoje
Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Felício Ramuth
1º de janeiro de 2023
Palácio dos Bandeirantes
4 anos, com uma reeleição consecutiva
O que vem em 2026
O governo de São Paulo está em disputa nas Eleições de outubro de 2026. O atual governador, Tarcísio de Freitas, aparece como nome de peso — mas seu futuro é uma incógnita: ele também é cogitado para a disputa pela Presidência da República. Se optar pelo Planalto, terá de deixar o cargo dentro do prazo legal de desincompatibilização.
Seja qual for o desfecho, o vencedor de 2026 entrará para esta lista — e, a partir de 2027, os governadores passam a tomar posse em 6 de janeiro, e não mais em 1º.
Fontes: Wikipédia (Lista de governadores de São Paulo); Governo do Estado de São Paulo; Tribunal Superior Eleitoral (TSE); CNN Brasil; Conjur; JOTA.

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