História do voto feminino no Brasil: de 1932 à maioria do eleitorado
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ELEIÇÕES 2026 · 11/06/2026 · BRASIL
O direito conquistado em 1932 começou restrito e levou décadas até a igualdade plena. Hoje, as mulheres são maioria entre os eleitores brasileiros.
As mulheres são hoje cerca de 52% do eleitorado brasileiro, segundo o TSE. Mas esse protagonismo nas urnas é resultado de uma luta longa, que só teve sua primeira grande vitória legal em 1932 — e mesmo assim, de forma parcial.
O direito ao voto feminino foi assegurado pelo Código Eleitoral de 1932, instituído pelo Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro daquele ano. A data é hoje lembrada como o Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil.
As pioneiras antes da lei nacional
Antes mesmo da regra nacional, o Rio Grande do Norte já havia aberto caminho. Uma lei estadual de 1927 removeu a distinção de gênero para o alistamento, e a professora Celina Guimarães Viana, de Mossoró, tornou-se a primeira eleitora registrada do país — feito que repercutiu internacionalmente.
O pioneirismo potiguar foi além: em 1928, Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes (RN), tornando-se a primeira mulher a comandar um município no Brasil e uma das primeiras da América Latina. Naquele período, contudo, votos femininos em pleitos como uma eleição complementar para o Senado chegaram a ser anulados, num sinal da resistência da época.
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Uma conquista inicialmente restrita
O Código de 1932 não igualou homens e mulheres de imediato. Em sua versão inicial, o voto feminino era facultativo e limitado: votavam as mulheres casadas com autorização do marido e as viúvas e solteiras que tivessem renda própria. Só em 1934 a nova Constituição retirou essas restrições. Ainda assim, o voto seguiu obrigatório apenas para os homens — a obrigatoriedade só foi estendida às mulheres em 1946.
Linha do tempo do voto feminino
Lei estadual do RN; Celina Guimarães se alista
Alzira Soriano, 1ª prefeita do Brasil (Lajes-RN)
Código Eleitoral garante o voto feminino (restrito)
Carlota Pereira de Queirós, 1ª deputada federal
Constituição retira as restrições
Voto obrigatório também para as mulheres
A primeira deputada federal
A participação efetiva veio em 1933, na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte. Dos mais de mil concorrentes, apenas 19 eram mulheres. Uma única se elegeu: a médica paulista Carlota Pereira de Queirós, que se tornou a primeira deputada federal do Brasil e a única mulher a integrar a Constituinte de 1934.
Quase um século depois, a presença feminina nas urnas se inverteu em maioria numérica — embora a representação nos cargos eletivos ainda avance em ritmo mais lento. A história que começou com Celina e Carlota segue em construção a cada eleição.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), TRE-SP, TRE-MG, TRE-PR, Memorial da Justiça Eleitoral de Goiás. Decreto nº 21.076/1932. Constituição de 1934.

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