História da urna eletrônica no Brasil: de Brusque-89 à maior eleição informatizada do mundo
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ELEIÇÕES 2026 · 11/06/2026 · BRASIL
Antes de 1996, o Brasil já testava o voto eletrônico em uma pequena cidade catarinense. Conheça a trajetória do equipamento que automatizou a democracia brasileira.
Quando o eleitor brasileiro digita o número do candidato e ouve o som que confirma o voto, encerra-se em segundos um processo que levou décadas para ser construído. A urna eletrônica é hoje símbolo da maior eleição informatizada do mundo — mas sua história começou bem antes do marco oficial de 1996.
O desejo de mecanizar a votação é antigo. O próprio Código Eleitoral de 1932, primeiro do país, já previa, em seu artigo 57, o uso de “máquinas de votar” a serem regulamentadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. A tecnologia, porém, ainda não existia para tornar a ideia viável.
Brusque, 1989: o primeiro teste real
O embrião do voto eletrônico brasileiro surgiu em Santa Catarina. Em 1989, a cidade de Brusque realizou a primeira votação eletrônica válida do país, com um sistema desenvolvido pelos irmãos Prudêncio. O modelo ainda usava cédula de papel: o eleitor preenchia o documento, que passava por um leitor óptico semelhante ao das casas lotéricas, e os dados eram enviados a um computador central por telefone para acelerar a apuração.
Esse experimento abriu caminho. Mas a urna como conhecemos hoje, totalmente eletrônica, só viria depois de um esforço coordenado pela Justiça Eleitoral.
1995: nasce o projeto nacional
A base legal da urna eletrônica foi a Lei nº 9.100, de 1995, cujo artigo 18 autorizava o TSE e os tribunais regionais a adotarem o sistema eletrônico de votação e apuração. No mesmo ano, o TSE formou uma comissão técnica liderada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) para desenvolver a “máquina de votar”.
O primeiro nome do equipamento era Coletor Eletrônico de Votos. Entre os requisitos definidos estavam o uso de números para identificar os candidatos e um teclado parecido com o de um telefone — solução pensada para facilitar o uso por todo tipo de eleitor.
Paleta: vermelho #E8151B · azul #1a4fa0 · branco #ffffff
1996: a estreia nas urnas
Nas Eleições Municipais de 1996, a urna eletrônica fez sua estreia. O primeiro contato alcançou 57 municípios — todo o estado do Rio de Janeiro, as capitais e as cidades com mais de 200 mil eleitores. Ao todo, cerca de 70 mil urnas coletaram os votos de mais de 32 milhões de brasileiros, aproximadamente um terço do eleitorado da época.
A adoção foi gradual. Em 1998 a UE98 passou a exibir a foto dos candidatos na tela, e o sistema seguiu evoluindo eleição após eleição até cobrir 100% do país.
Marcos da urna eletrônica
Primeira votação eletrônica válida (Brusque-SC)
Lei nº 9.100 autoriza o sistema eletrônico
Estreia em 57 municípios · 32 milhões de eleitores
Foto do candidato na tela (UE98)
147 milhões de eleitores · maior eleição informatizada do mundo
Como a urna evoluiu
Cada geração de urna trouxe avanços em processamento, memória e segurança. A introdução de mídias de estado sólido, a fiscalização aberta dos dados e os testes públicos de auditoria foram tornando o equipamento mais transparente. Desde a estreia, a Justiça Eleitoral afirma que o sistema passou por sucessivas eleições gerais e municipais sem que se comprovasse qualquer fraude no equipamento.
De um experimento com leitor óptico numa cidade do interior catarinense a um parque de centenas de milhares de máquinas, a urna eletrônica se tornou um dos pilares da democracia brasileira moderna — e parte da mesma história institucional iniciada em 1932, quando o país criou sua Justiça Eleitoral.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), TRE-SP, TRE-RJ, TRE-MS — séries históricas e institucionais. Lei nº 9.100/1995. Código Eleitoral de 1932 (art. 57).

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